Alagoas perdeu um visionário. A morte do engenheiro Beroaldo Maia Gomes silencia uma das mentes mais brilhantes e originais que esse Estado já teve.
O professor Beroaldo tinha uma cabeça cheia de ideias. Esteve à frente da criação do polo cloroquímico de Marechal e foi um dos idealizadores da Sudene.
O homem que defendia transformar Maceió numa tecnópolis – essa era a sua bandeira nos últimos anos – teve papel fundamental na consolidação de projetos importantes para o desenvolvimento do Estado, principalmente na área de infraestrutura.
O primeiro plano de eletrificação de Alagoas, aprovado pela Sudene, por exemplo, foi de sua autoria.
Uma das últimas entrevistas que fiz com o professor Beroaldo foi sobre o ressurgimento da Sudene. Sua opinião era a de que a nova estrutura nasceu com menos poder, mas que poderia ser a ferramenta que faltava para repensar o planejamento estratégico de Estados como Alagoas; o que acabou não acontecendo.
Reproduzo aqui alguns dos trechos da entrevista feita há cinco anos. Percebam como muito pouca coisa mudou aqui em Alagoas e no Nordeste e o quanto o Estado perdeu em não ter ouvido mais o professor Beroaldo:
Ainda há espaço para órgãos como a Sudene e a Sudam nesse contexto atual?
Ao meu ver devem ressurgir todas as superintendências regionais, a Sudam, a Sudene… Agora está ressurgindo a Sudeco. É preciso que elas ressurjam para fazer renascer o planejamento que foi sepultado depois do neoliberalismo. Porém, o desafio da nova Sudene é maior do que o da primeira, pois ela está renascendo dentro de uma conjuntura difícil.
Qual é a função da nova Sudene?
Tem que planejar o novo projeto brasileiro de autonomia, soberania e, sobretudo, de criação do poder capitalista nacional. O Brasil criou o setor industrial e agora tem que criar o setor financeiro nacional. Se a Sudene não tiver um projeto inteligente não vai vingar. Ao invés de ser uma afirmação do planejamento será uma desmoralização. Planejamento não é panacéia. Sem planejamento não é possível fazer dar certo, esse é um dilema nosso!
O que Alagoas deve ao órgão?
Começou-se o programa de eletrificação, por exemplo. A criação dos distritos industriais, o Luiz Cavalcante. Estradas, a BR-101 ligando o Norte ao Sul do Estado. Toda as obras de infra-estrutura básica. Oitenta por cento das verbas da Sudene no início foram destinadas à infra-estrutura, principalmente para investimentos em energia e estradas. Tinha também um programa de recursos humanos muito bom. Além disso, foi aí que surgiu a Codeal (Companhia de Desenvolvimento de Alagoas), que foi criada para pensar a economia do Estado.
Como o governo de Alagoas pode tirar proveito da nova Sudene?
O Estado de Alagoas está paralisado há vinte anos. Apesar de não termos agência de desenvolvimento ou banco, há recursos naturais. Outros Estados do Nordeste desenvolveram melhor seus recursos do que Alagoas. Se formos procurar o bode expiatório da crise de Alagoas, vamos achar vários.
Um aumento de 17% apenas nos primeiros três meses deste ano. É o que mostra um levantamento feito pelo jornal Valor nos quatro maiores bancos do país. Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander registraram essa alta na receita com tarifas e prestação de serviços.
A pressão no reajuste desses serviços foi uma forma encontrada pelos bancos para compensar o crescimento da inadimplência e a queda dos juros. Uma mão lava a outra e o cliente sempre acaba pagando.
A previsão dos especialistas é que as tarifas continuem aumentando como alternativa para manter a rentabilidade. Portanto, vale checar mais de uma vez quanto banco está cobrando pelo pacote de tarifas e se não há alternativas mais baratas.
Um estudo do Banco do Nordeste mostra que a região é a que mais vai receber recursos do governo federal neste ano. São R$ 29,1 bilhões em investimentos públicos federais até dezembro. Alagoas receberá cerca de R$ 1,1 bilhão.
Segundo o banco, a maior parte desse dinheiro é proveniente do Executivo e de estatais como Eletrobras e Petrobras.
A Bahia lidera o ranking de investimentos, com cerca de R$ 2,2 bilhões do Executivo. Em relação aos recursos de estatais, Pernambuco é o Estado que ficará com a maior parte dos investimentos, R$ 9,8 bilhões. A maior parte irá para a implantação da Refinaria Abreu e Lima.
Quem quiser ver a análise completa é só clicar aqui na análise do Escritório Técnico de Estudos Econômico do Nordeste (Etene): http://www.bnb.gov.br/content/aplicacao/etene/etene/docs/iis_ano_6_n1_investimentos_publicos_federais_ne2012.pdf.
As contas de energia podem ficar até 10% mais baratas com a renovação das concessões que terminam em 2015. Os cálculos são da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estuda propostas que podem baixar ainda mais as tarifas pagas pelo consumidor.
Essa redução vai variar de acordo com cada região do país e dependerá também dos contratos de geração e transmissão.
O que o governo federal quer é que o consumidor usufrua de imediato, assim como as empresas, dos lucros obtidos.
A proposta de redução das tarifas segue em discussão ainda durante todo o mês de maio. Já a renovação das concessões só deve ser decidia pelo governo em junho. Resta torcer pelo melhor para o consumidor, que passou anos vendo sua conta de luz galopar e a qualidade no fornecimento declinar.



