Nesta quinta-feira (17), vou entrevistar na Conversa de Botequim a deputada federal Rosinha da Adefal (PTdoB).
Rosinha é pré-candidata a prefeita de Maceió. Seu partido tem feito entendimentos com o PT, que – especula-se nos meios políticos – poderá indicar o vice de Rosinha.
Mas a entrevista não será só sobre a eleição deste ano. Rosinha vem tendo atuação importante na Câmara dos Deputados como porta-voz e defensora dos direitos dos portadores de deficiência.
A Conversa de Botequim é no novo restaurante Mai Kai (ex-Rapa Nui), na orla da Ponta Verde, às quintas-feiras, mais ou menos às 9h da noite.
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Beroaldo e Bomfim: conversa de distraídos
Quem conhece Eduardo Bomfim sabe da fama de distraído que ele tem. Distraído não, desligado mesmo.
(Antes, um parêntesis. Outra fama do Bomfim, igualmente justa e muito mais louvada, é a de contador de casos. Eduardo Bomfim é um dos melhores contadores de casos de Maceió. Fim do parêntesis.)
Numa roda onde se conversava sobre seu eterno alheamento, Bomfim até admitiu ser distraído, mas faz a ressalva:
– Beroaldo Maia Gomes também é muito desligado, talvez mais do que eu.
E, para provar o que diz, conta o caso, que vai aqui resumido.
Uma tarde há bastante tempo, Bomfim e o professor Beroaldo se encontram casualmente no Calçadão do Comércio, em frente ao São Luiz. Conversam, conversam, o tempo passa e os dois se despedem, mas antes de ir embora Beroaldo parece em dúvida:
– Ô Bomfim, me diz uma coisa: quando a gente se encontrou aqui, eu vinha de lá (e apontou para o lado do Produban) ou vinha de cá? (e apontou na direção do Bar do Chope).
Isso não é coisa que se pergunte ao Bomfim. Mas ele lembrou que vinha da Assembleia quando cruzou com o professor, portanto Beroaldo vinha da Rua do Comércio.
– Você vinha de lá – e apontou, com segurança.
– Ah, bom. – disse Beroaldo, aliviado. – Então eu já almocei.
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Há poucos meses encontrei o professor Beroaldo em uma farmácia perto de casa. Falei nesse episódio e ele confirmou. “Até hoje o Bomfim ri disso quando me encontra”.
Beroaldo Maia Gomes, um mundo de conhecimento e um homem público exemplar. Pena que nunca tive oportunidade de entrevistá-lo no botequim. Seria um depoimento importante. Tipo da pessoa que, quando se vai, no dia seguinte já é saudoso.
Dois anos depois da maior enchente em muitas décadas, agora uma violenta seca atinge Alagoas.
Em 2010, a Zona da Mata e o litoral sofreram com a tragédia. Mortes, perda de casas, prejuízos, aflições.
Hoje é o Sertão que enfrenta uma das mais severas estiagens das últimas décadas. A diferença é que, ao contrário daquele trágico 18 de junho de 2010, quando algumas horas de temporal levaram tudo de roldão, agora a agonia é lenta, a morte de gado e gente se dá aos poucos, inexoravelmente, a cada manhã em que o sertanejo olha para o céu, não vê nuvens de chuva e perde a esperança até amanhã, quem sabe?
Enchente ontem, seca hoje. A solução é trabalho – já que não podemos domar a natureza, é necessário fazer obras para conviver com seus rigores. Irrigação para a seca, prevenção para as enchentes. Mãos à obra.
Nesta quinta-feira (10) vou entrevistar na Conversa de Botequim o corregedor-geral de Justiça de Alagoas, desembargador James Magalhães.
Como anda a fiscalização da Corregedoria sobre os magistrados alagoanos? Tem havido punição para juízes que cometem irregularidades? E a luta do corregedor para corrigir a situação dos presídios em Alagoas? O CNJ, com a corregedora nacional Eliana Calmon, está melhorando o Judiciário? As corregedorias locais têm autonomia e liberdade para investigar magistrados?
Estas são algumas das questões atuais que entram na pauta da entrevista.
A Conversa de Botequim acontece todas as quintas-feiras, às 9h da noite (mais ou menos), no Restaurante Mai Kai, na orla da Ponta Verde.
Na última quarta-feira, 2 de maio, o Samu Maceió recebeu 1.316 ligações, das quais 1.003, ou 76,2% do total, eram trotes.
No ano passado a média foi pior ainda: 83,57% das ligações para o 192 foram falsas chamadas de emergência.
É inevitável a pergunta: o que leva uma pessoa a pegar um telefone, disfarçar a voz e dizer que alguém está com um problema grave e precisa de socorro urgente? Que prazer alguém pode tirar disso?
Num fim de semana em 2005 fui testemunha dessa insanidade. Para fazer uma reportagem no jornal em que trabalhava, virei duas noites e madrugadas inteiras – de sexta para sábado e de sábado para domingo – acompanhando equipes do Samu desde o recebimento da chamada, o atendimento possível na rua até o encaminhamento ao hospital.
Vi de perto a dedicação desse pessoal, a coragem de descer em grotas para atender feridos em tiroteio de gangues, o estresse de enfrentar o trânsito levando um infartado agonizante na maca, com a sirene aberta e sem ter por onde passar; o cuidado dos socorristas em consultar a base para os procedimentos, a vibração ao salvar uma vida. E o desânimo ao chegar no local da chamada e constatar que era alarme falso.
O trote para serviços de emergência é crime previsto no Código Penal. Mas nem isso inibe esse tipo de gente que insiste na brincadeira sem graça. Em muitos casos, adultos põem crianças no telefone para dar o trote.
Os atendentes do Samu são bem treinados. Com o tempo e a experiência, conseguem perceber o trote, quando é mais evidente, e o matam no nascedouro. Mas nem sempre isso é possível. O resultado é que uma equipe é deslocada para um falso alarme e deixa de atender um caso greve e real. A brincadeira de mau gosto pode custar a vida de alguém, já houve casos em que aconteceu mesmo.
Se alguém imagina que isso é só coisa de “vagabundo da periferia”, alto lá. O fato de o 192 ser um telefone gratuito, acionado de qualquer orelhão, não significa nada. A central de atendimento do Samu tem bina, as ligações são identificadas. E os levantamentos mostram que boa parte dos trotes vem de orelhões instalados em áreas “nobres” de Maceió.
O que temos a fazer, além de dureza na repressão ao trote, é apostar que, cedo ou tarde, as pessoas vão se dar conta de que todos precisamos do Samu e não faz sentido brincar com a doença e a morte alheias porque um dia a tragédia pode ser nossa.
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Nesta quinta-feira, 10, vou entrevistar na Conversa de Botequim o corregedor-geral de Justiça, desembargador James Magalhães.



