
O experiente sindicalista Alcides Pacheco é um especialista em pesquisas políticas – eleitorais ou não.
Dele eu recebi os surpreendentes números sobre filiação partidária em Alagoas. O PP lidera com 13.387 filiados, seguido pelo PMDB, com 12.572, seguido pelo PSB com 12.501.
O que surpreende, de fato, é que os partidos que têm tradição histórica de militância apresentam baixos índices de filiação no estado. O mais importante, o PT, está apenas em sétimo ligar, com apenas 8.669 filiados.
O partido é o segundo no Brasil com 1.392.864 filiações, atrás apenas do PMDB, que tem 2.316.053 filiados.
O trabalho do ilustre colaborador vai mais além: ele mostra um comparativo das filiações partidárias em Alagoas nos anos de 2006 e 2010. Vale a pena conferir.
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Não sendo eleitor de Serra ou de Dilma, parece, não sobrou espaço para mim no debate político no Brasil. A campanha a presidente da República se deu, inicialmente, na disputa para saber quem traria nas veias “o sangue” de Lula. Agora, chegou a fase policial.
O que sinto falta, essencialmente, é de uma crítica à esquerda – no Brasil – do que resultou dos quase oito anos de lulismo. O presidente virou uma religião, que é combatida por outra religião – o antilulismo -, numa discussão raivosa e de conteúdo chocho.
Sem negar a evidente sensibilidade social do presidente, a grande sacada do “nosso guia” foi encontrar a alma brasileira onde ela esteve sempre. Uma população majoritariamente excluída queria – mais do que tudo – consumir: dos bens essenciais, e até pouco tempo inatingíveis, até os objetos do desejo da classe média. Uma busca, corrijo, de homens e mulheres de todo o mundo.
Se indagado sobre o seu sonho, nenhum de nós dirá: “Eu quero uma saúde pública que atenda, com dignidade, a brasileiros e brasileiras”. Ou ainda: “Eu sonho com uma escola pública – nos três níveis – decente para os nossos filhos”. Bobagem. A resposta será sempre algo que se possa comprar, adquirir com dinheiro, para que seja uma conquista pessoal. Imaginar outra coisa bem diferente é bobagem de tempos idos.
Quem teria autoridade para fazer essa crítica, com o olho no real avanço social, de construção de um futuro saudável para a coletividade? Eis o problema.
As representações do movimento social – sindicatos, centrais, entidades estudantis etc. – viraram estatais, saciadas quase sempre com o que conquistaram para os seus dirigentes e entorno. A intelectualidade – acadêmica, principalmente -, com raras exceções, resolveu se fechar no seu mundo particular, deixando para trás o importante papel que desempenhou para que pudéssemos chegar até aqui. Sem a crítica, os governos não avançam. Aliás, é próprio dos governos: eles não agem – reagem, desde que pressionados.
A chamada consciência crítica cansou ou se deu por contemplada. Esse é o Brasil possível, dirão os pragmáticos. Que pena! Um país que carrega a chaga de ser o nono mais violento do mundo e se dar por satisfeito com isso? Aprovar-se com uma das piores redes de assistências à saúde de pobres e pouco remediados no planeta? Jactar-se de ter uma escola pública em que os professores, na maioria, não tiveram a oportunidade de aprender?
Se não desejamos para as novas gerações algo mais do que conseguimos conquistar – e não lutamos por isso-, talvez o nosso altruísmo e a nossa solidariedade tenham sido apenas parte de um discurso que esquecemos na gaveta. E a utopia não passou de sonho de uma noite de verão.
Grande frasista, o primeiro ministro britânico Winston Churchill foi indagado certa feita sobre os ataques que lhe eram feitos pelos seus “inimigos”, no parlamento.
“Eles são os meus adversários”, disse. “Meus inimigos estão aqui do meu lado”.
Eis uma boa definição sobre o embate que acontece em algumas coligações, principalmente na disputa proporcional – para deputado federal e estadual.
O caso mais evidente, hoje, é o que envolve os tucanos Rui Palmeira e João Caldas, que brigam pela terceira – ou quarta – vaga de deputado federal que a coligação de ambos pode fazer.
A guerra, após o episódio de Ubateguara, está declarada. JC, que não depende muito do chamado voto de opinião, leva vantagem no caso específico – pelo tom da discussão, que domina bem mais. Haverá, porém, desdobramentos.
No PT
A briga maior entre os petistas se dá na luta por vagas na Assembleia Legislativa. Judson Cabral é pressionado por correligionários mais bem aquinhoados e com poderio financeiro.
Os chamados históricos reagem, num embate que parece desproporcional. Basta olhar a grande quantidade de carros plotados com propaganda de neopetistas.
O prefeito Cícero Almeida fez sua estreia hoje na campanha de governador de Alagoas. Ele comandou uma caminhada, juntamente com o tucano Teotonio Vilela Filho, às 17h, na Grota do Cigano, no Jacintinho. Próximo passo: Almeida vai aparecer na propaganda eleitoral do rádio e da TV anunciando o seu apoio ao atual governador de Alagoas. Já fez suas primeiras gravações, que devem ir ao ar o mais rapidamente possível.
As conversas entre o prefeito e o governador têm sido cada vez mais frequentes. Coube a Almeida, por exemplo, a indicação do candidato a vice na chapa de Vilela. Ele chegou a comparecer à convenção tucana, mas ainda não havia declarado publicamente que marcharia com o atual titular do Palácio República dos Palmares.
Paro o tucanato, numa disputa tão acirrada, com três candidatos emparelhados na briga pelo governo do Estado, o apoio público e o engajamento do prefeito na campanha pode ser decisivo.
Almeida tem um índice de aprovação recorde em Maceió, cidade que concentra o maior contingente de servidores públicos estaduais e onde o governador Teotônio Vilela Filho encontra grande resistência, ainda.
A participação do prefeito na campanha tucana deve ser intensa durante o restante do mês de setembro, que será decisivo no embate entre Vilela, Lessa e Collor – os nomes que brigam para chegar ao segundo turno.
Aliás, a ideia inicial do prefeito de Maceió era só anunciar publicamente o seu apoio no provável segundo turno. Segundo um assessor direto do prefeito, os últimos acontecimentos da campanha precipitaram a sua decisão. Ele afirmou ainda que o prefeito está consciente de que passará a ser vitrine, também, no embate eleitoral, mas que está disposto a enfrentar os riscos.
A empresa Sensus Data World Pesquisa e Consultoria está realizando uma nova pesquisa de intenção de votos em Alagoas. Registrada no TRE no último dia 3, ela conclui hoje o trabalho, devendo ser divulgada no dia 9, provavelmente, por O Jornal, que fez a encomenda.
Ao todo, serão entrevistadas mil pessoas em todo o estado de Alagoas sobre a intenção de votos para: presidente, governador, senador, deputado federal deputado estadual. O trabalho mais evidente da Sensus é a pesquisa periódica realizada em parceira com a Confederação Nacional dos Transporte – CNT, com a avaliação do governo federal.
Infinita, só a estupidez humana, diria Albert Einstein. Pois há uma notória implicância nos meios científicos em relação aos que defendem – entre eles – que o saber não deve ser propriedade de uma “sociedade secreta”. Assim, Carl Sagan fez da sua vida uma luta sem tréguas para que o homem comum conhecesse – tanto quanto possível – os mistérios do Universo e da Vida.
Puxou com ele um time de primeiríssima, formado por Stephen Jay Gould, Richard Dawkins, Stephen Hawking, Frans de Waal, Steven Pinker e os brasileiros Marcelo Gleiser e Marcelo Leite, entre outros. São os divulgadores da Ciência, defensores de um novo e democrático Iluminismo, que enfrentam mais um tolo preconceito – felizmente, para nós.
Confesso: com eles, tenho me emocionado tanto quanto ao ler maravilhas da literatura. Com minha curiosidade errática e um tanto sem método, ando por caminhos diversos, o que, entre outras coisas, nunca me permitirá ser um especialista em nada (já disseram: essa pode ser uma boa definição para jornalista. Pois que seja). Garanto que, ao contrário do que possa parecer, o pouco que consegui aprender com esses mestres fez com que eu me sentisse mais pleno como pessoa, mais convicto dos valores humanísticos que persigo.
Deparo – me, então, com um sujeito extraordinário: Oliver Sacks, neurocientista americano que resolveu trazer à luz um tema que tinha tudo para ser espinhoso aos pobres mortais. Qual o quê! Além de ótimo escritor, ele nos conduz a um mundo estranho e profundamente humano.
É uma lição de humildade e crença nas possibilidades das “pobres criaturas” que o doutor Sacks nos apresenta em cada caso – verídico – por ele narrado. Trato aqui, especialmente, de “O homem que confundiu sua mulher com um chapéu”, que me fez mergulhar na obra do cientista. Nada a temer, embora o que está descrito no livro desafie a mais sofisticada e criativa ficção literária.
Impressiona saber que doenças que em tudo parecem incapacitantes deixam espaço para a dignidade humana. Um aprendizado que ele próprio absorveu, com os seus pacientes, ao longo de décadas de atividade profissional. Gente diferente, que se reinventa a partir do improvável. O caso que dá título ao livro, por si só, já “pagaria o ingresso” no espetáculo da vida apresentado pelo cientista (não, o “confuso” não sofreu um surto de loucura. O que lhe aconteceu tem explicação na Ciência. Difícil de explicar e maravilhoso de entender é como ele consegue ser uma pessoa normal e até feliz, como poucos que sabem – e muito bem – a distinção entre mulher e chapéu).
Um outro, no entanto, me conquistou em definitivo para a causa do doutor Sacks: é a história de uma mulher que nasceu cega, com paralisia cerebral, e durante sessenta anos desconheceu a possibilidade de qualquer uso das mãos. Viveu sempre numa cama, sendo alimentada, banhada e protegida pelos familiares que a amavam.
Com um tratamento simples, como bem nos mostra o médico, Madeleine J. descobriu o tato, o toque sensível, explorou objetos e chegou ao que viria a ser o seu fascínio: rostos humanos. Fez-se artista, modelando cabeças e figuras com “uma notável energia expressiva” – definição do doutor Sacks. Ficou conhecida como a Escultora Cega do St. Benedict, instituição em que ela esteve internada.
Se isso não me emocionasse, o que mais conseguiria?
Não trato aqui nem de santos nem de anjos, até porque não é essa a minha temática. É notório, porém, que alguns dos candidatos que disputam as eleições proporcionais em Alagoas são os alvos preferenciais dos chamados taturanas (denominação genérica de parlamentares corruptos em Alagoas).
Encabeça a lista, é claro, o delegado federal José Pinto de Luna, que já vem sentindo o peso da mão – e o “calor” em chamas – da moçada que o detesta. Mas não só ele. Os deputados Judson Cabral e Rui Palmeira sabem que são odiados pelos “colegas” de Assembleia e entorno.
De partidos adversários, Cabral e Palmeira sofrem uma perseguição implacável dos indiciados pela Polícia Federal. Tornaram-se objeto da fúria taturânica, principalmente porque não cederam às tentações do bolso. Se quisessem, teriam engordado suas contas bancárias com generosas quantias dos cofres públicos. Rejeitaram – agora têm de pagar o preço pela desfeita, eis a resposta da turma. Mesmo – ou principalmente – dentro das coligações ou legendas que integram. Talvez aí é que o ataque covarde seja mais frequente e cheio de mágoas.
Nesta campanha, mais do que em qualquer outra, eles sabem que um único escorregão pode lhes ser fatal. Os enlameados querem, de todo jeito, que alguns pingos da sujeira em que estão mergulhados marquem suas vestes, para que possam dizer: “Somos todos iguais”.
Em resumo: se não dá mais para limpar a própria biografia, que se suje a dos outros.
O juiz Geraldo Amorim determinou que Cícero Rafael de França, um dos acusados de envolvimento no assassinato do estudante Fábio Acioli fosse libertado. Servidor da prefeitura de Maceió, ele estava preso há um ano, sem que haja uma conclusão da investigação. O Ministério Público se manifestou favorável à liberação.
O magistrado, titular da 9ª Vara Criminal da Capital, disse que se os outros dois presos – Carlos Eduardo Souza e Wanderley do Nascimento Ferreira – também tivessem endereços fixos ele adotaria para eles a mesma medida. Cícero Rafael estava, segundo disse à polícia, com o estudante de 21 anos na hora em que ele foi sequestrado – os desdobramentos trágicos foram amplamente divulgados.
Impasse americano
No último dia 26 de agosto fez um ano do brutal assassinato. Até agora, não apareceu formalmente o nome de um possível mandante para o crime, embora os boatos tratem de várias personalidades com poder econômico em Alagoas. Mas boatos são apenas boatos – não servem como provas.
No próximo dia 15, o juiz Geraldo Amorim vai ouvir mais algumas pessoas que talvez possam fornecer novas informações sobre o caso.
Ele recebeu, recentemente, do Ministério da Justiça a resposta ao pedido de cooperação internacional feito ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos – sobre as contas de MSN, Orkut etc. que Fábio Acioli mantinha. “Foi frustrante”, definiu o magistrado. Eles enviaram um formulário para que seja preenchido pelos familiares do estudante e depois reenviado aos Estados Unidos.
O coronel Dalmo Sena, ex-comandante da Polícia Militar, foi nomeado hoje para o cargo de Diretor Conselheiro Executivo da Arsal – Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado de Alagoas. Ele vai cumprir, inicialmente, um mandato de dois anos, podendo ser reconduzido por decisão do futuro governador – seja ele for.
O oficial deixou o comando da PM, na semana passada, insatisfeito, é claro. Ele continua sendo considerado um ótimo profissional da área de inteligência, o que o levou a dirigir a corporação. Entretanto, dirigindo a tropa, o coronel Sena não apresentou o desempenho esperado pela cúpula da Secretaria de Defesa Social e do Palácio República dos Palmares, o que resultou na sua substituição.
O novo comandante, coronel Dário César tem pela frente, a partir de hoje, uma prova de fogo: ele enfrenta o primeiro final de semana dirigindo a tropa. O oficial e sua equipe montaram uma estratégia de ação para atuar nas áreas – e cidades – com maior número de crimes contra a vida (que acontecem, principalmente, no final de semana).
Ele sabe que está no “olho do furacão”, ainda mais por causa da campanha eleitoral. Mas já deu o recado: afirmou que não vai permitir ninguém – com poder econômico – espalhe mais terror junto à população. Só não disse como – é aguardar.
José Maria é o primeiro
E finalmente Alagoas vai receber o primeiro candidato a presidente da República em plena campanha eleitoral. Marina Silva e José Serra aqui estiveram, mas antes de começar a campanha propriamente.
Na segunda-feira, José Maria, do PSTU, chega a Maceió para pedir votos ao seu estilo: vai ao centro da cidade distribuir material de sua candidatura e fazer um corpo a corpo com o eleitor.
A investigação da polícia que resultou na prisão de três pessoas, em Ibateguara, foi iniciada a partir de uma denúncia do MCCE. Mais grave ainda: a informação inicial dava conta de que um candidato majoritário também está envolvido no mesmo esquema de compra de votos que beneficiaria o deputado estadual Marcelo Victor.
A investigação prossegue e é possível que aconteçam novas prisões, em breve. Segundo uma fonte da Polícia Civil, não houve flagrante em relação ao candidato majoritário inicialmente denunciado, “o que não significa que ele não tenha envolvimento no caso”.
O esquema de compra de votos, segundo os presos, era comandado por João Ferreira Júnior, cabo eleitoral do deputado estadual do PTB e que é mais conhecido como Júnior Cocão.
As prisões devem dar início a um procedimento por parte do Ministério Público Eleitoral, pedindo a cassação do registro da candidatura do parlamentar por abuso do poder econômico e captação ilícita de sufrágio.
A direção nacional do MCCE já enviou mensagem de congratulações à representação local.
E Rui Palmeira?
Foi esta pergunta que o blog fez ao delegado Marcílio Barenco, diretor da Polícia Civil. Ele afirmou que nunca houve nenhuma denúncia contra o deputado neste caso:
- Nem mesmo o MCCE apontou o parlamentar como sendo beneficiário deste esquema. Nós trabalhamos com provas e testemunhas. Não há qualquer depoimento dos presos que aponte o nome do candidato Rui Palmeira. Assim como também não há provas contra o candidato majoritário apontado pelo MCCE. Então, não há razão para acusar o deputado ou o candidato majoritário. Seria leviano da nossa parte.
O delegado disse ainda que foi encontrado um único “santinho” do deputado Rui Palmeira na residência de um dos presos. “Isso não configura crime”. Barenco considera que é natural essa especualção – “um factóide” – em época de eleição.